Como ativar o CorelDraw X4


Logo após de instalado, normalmente o Corel X4 vai pedir o serial. Insira este: (DR14N22-JKPLHYP-LP8FA8Z-BDZGFKZ-CNS56) e continue a instalação. Pronto, já tem ele instalado.
Quando for abrir o Corel X4 vai aparecer um aviso dizendo que você tem 15 ou 30 dias de uso: significa que ele é trial, mas logo acima tem uma opção para comprar ele, clique nessa opção e vai aparecer as opções: comprar ONLINE, e do lado comprar TELPHONE. Clique em comprar por TELPHONE, logo vai aparecer 3 opções de numeros: o 1º é o codigo de instalação que já esta tudo certo, digite esse código no KEYGEN na opção do meio. ATENÇÃO! Só esse numero você deve digitar, tudo junto sem esses tracinhos do meio (-); e depois você vai lá no corel e na 2º opção vai ter o serial, que já vai estar tudo certo, copie ele e cola na 1º opção do KEYGEN e clica em GENERATE no KEYGEN mesmo abaixo ele vai gerar o codigo de ativação. Copie esse número e cole na 3º opção do Corel X4 onde também está escrito codigo de ativação depois disso é só dar ok e continuar! Pronto seu Corel X4 não é mais trial!
obs.: desculpem os erros de português e atropeladas gramaticais… Tirei esse texto de outra página da web (http://tudoonline.wordpress.com/2008/03/12/super-dica-como-ativar-o-coreldraw-x4/), e não mexei mais por medo de perder a direção exata da coisa. Mas, é isso! E boa sorte com o seu CorelDraw X4.
obs2.: caso você nem tenha o Corel, pode baixá-lo no Baixaki, contudo não aconselho, pois o mesmo pesa 298 MB… Mas se você já tiver o set-up, melhor ainda.
Bom trabalho!

Por uma consciência plural

Hoje é dia da consciência negra. Dia de lembrarmos da luta histórica desse povo sofrido que serviu durante três séculos como escravo nas labutas diárias dos europeus que aqui vieram colonizar…

Realmente, a população afrodescendente merece uma homenagem por esses séculos de exploração. Contudo, é bom refletirmos um pouco sobre o que é racismo e raça antes de sairmos por aí dizendo que tudo é racismo, e reivindicarmos mais direitos para o negro.

Primeiramente, o uso do termo “raça” contém um erro brutal que deve ser pensado e reparado pelos movimentos negros. Os próprios cientistas e demais estudiosos da biologia e até mesmo das Ciências Humanas reconhecem que toda classificação em raças é uma classificação imprecisa e arbitrária, portanto geradora de uma hierarquia biológica. Ou seja: dividindo o ser humano em raças é deixar implícito que alguma raça é superiora à outra.

Duvida? O que o ser humano faz quando pega um animal como o cachorro ou o gato para dividir em raças? No final o que ele quer é saber o tipo ideal de cachorro para determinada atividade: o mais inteligente, o mais forte, o mais fiel…

Então quem divide a espécie humana em raças quer dizer o que então?

É aí que o Movimento Negro diz que “o termo usado exprime a idéia de divisão cultural e ideológico e não biológico”. Contudo para os integrantes desse movimento é muito fácil explicar isso, e para uma massa inteira de pessoas que não são letradas ou estudiosas da área? É a mesma coisa que colocar alguém como Jorge Amanajás na Televisão e dizer que ele está ali como professor apenas e não como deputado ou candidato à eleição. É difícil fazer uma população inteira entender essa diferença.

Onde eu quero chegar é que o racismo no Brasil nunca vai acabar enquanto os cabeças desses movimentos dividirem a população em raças e dizer que o negro por ser da raça negra, deve ter mais direitos que quem não é da raça. O que é isso se não racismo? A própria divisão nessas categorias já é racismo.

Logo, o que temos que ter em mente é uma consciência da pluralidade étnica existente em nosso país. O que há aqui é uma diversidade étnica, de diferentes povos e culturas, e por que não cores também. O ser humano não é cachorro nem gato para ser dividido em raças.  Se for para dividir em raças, podem me chamar de “raça indefinida” ou o puro e simples “vira-lata”. Como diria as sábias palavras do orkut, eu sou “multiétnico” mesmo!

Boa consciência para todos!

Participe! – I Jornada Acadêmica Cultural de História: Identidades Negras na Amazônia

Nos dias 12 e 13 de novembro de 2009, quinta e sexta-feira, estará ocorrendo a I Jornada Acadêmica Cultural de História, com o tema: Identidades Negras na Amazônia. Participe você também! Segue abaixo o cartaz e o folder do evento:

Cartaz oficialI Jornada (folder)I Jornada (folder - costa)Caso esteja ruim a leitura, ou sua internet esteja tão ruim que sequer a figura carregou, vou colocar a programação bem detalhada para você conhecer melhor:

12 de novembro de 2009

08h00 – Credenciamento

08h30 – Mesa de Abertura

· Prof. Guilherme Jarbas (Coordenador do Curso de História)

· Prof. José Carlos Tavares (Reitor)

· Prof.ª Mariana Gonçalves (Colegiado de História, da cadeira Historiografia Africana)

· Prof.ª Iza Vanesa (Coordenadora da I Jornada Acadêmico Cultural de História)

· Discente da Turma de História 2008

09h15 – Mesa redonda:“Identidades Negras na Amazônia: História, Historiografia e Ensino”

· Prof.ª Mariana Gonçalves (História)

· Prof.ª Eugênia Foster (Pedagogia)

· Prof.ª Márcia Jardim (Pedagogia)

· Willian Barros – Discente da Turma de Licenciatura em História 2008

14h – Oficinas

· Penteados Afros – Lindalva de Jesus Barros Martins

Local: Sala Q2

Vagas: 30

· Jazz – Laurinaldia Barros Martins

Local: Ginásio Poliesportivo da UNIFAP

Vagas: 30

18h – Atividades Culturais

Local: Espaço aberto ao lado do Ginásio Poliesportivo

13 novembro de 2009

16h – Debate: “Identidades Negras e Movimentos Sociais na Amazônia: entre conquistas e desafios”

· Prof.ª Alexsara Maciel (Ciências Sociais)

· Prof. Assunção José (Ciências Sociais)

· José Vinícius Melo – Discente da Turma de Licenciatura em História 2008

· Jorge Alberto Araújo de Souza (POCA) (Movimento Hip-Hop)

19h – Atividades Culturais

Local: Espaço aberto ao lado do Ginásio Poliesportivo

Todas as atividades serão no Anfiteatro da Universidade Federal do Amapá, localizada na Rod. JK, Bairro Universidade, em frente ao Hospital Sara Kubistchek.

Informações, ligue para essa galera que aparece no folder, ou pode ligar para mim mesmo: (096) 8117-0019 ou (096) 9122-1493.

O custo é de R$5,00, e a carga horária total é de 16 horas. Incrições nas Instituições de Ensino Superior de Macapá e também na Cantina da UNIFAP.

Abraço a todos, encontro vocês lá!!!

Participe você também!

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08h00 – Credenciamento

08h30 – Mesa de Abertura

Ficando famoso

DVD Círio 2009Certo dia estava voltando para casa numa tardinha, depois de uma longa tarde de estudo e trabalho, quando minha vizinha do lado me chama para dizer que viu um DVD em que a minha foto estava presente. Que legal, eu disse. Ela me emprestou e o resultado é isso aí: duas fotos em que eu pareço de enchirido (o rapaz de camisa vermelha) logo atrás. Se trata do DVD com as músicas do Círio de Nazaré desse ano, e essas fotos são do dia do envio das imagens para as paróquias da cidades, acho que uns dois domingos antes do Círio. Pois é, né que estou ficando famoso? Registro assim minha primeira aparição na mídia. Por favor, nada de autógrafos.

Cerveja, amendoim e MPA – O lançamento de “Honoráveis Bandidos”, de Palmério Dória

Foto-0252A noite de ontem, dia 6 de novembro, foi uma data importante para a liberdade de expressão no Amapá. Foi o lançamento do livro “Honoráveis Bandidos: um retrato do Brasil na era Sarney”, do jornalista Palmério Dória. O Bar da Celina ficou pequeno para a enorme concentração de intelectuais de esquerda por metro quadrado, que contou com a presença de gigantes como Corrêa Neto, Alcinéa Cavalcante, Zé Miguel, João, Janete e Camilo Capiberibe, vários blogueiros, inclusive… Eu! Humilde blogueiro buscando um lugar ao sol. Tudo isso regado a muita cerveja, amendoim e MPA.

Fila enorme para conseguir um autógrafo, levou 3 horas para Palmério Dória terminar de dar suas canetadas.

Fila enorme para conseguir um autógrafo, levou 3 horas para Palmério Dória terminar de dar suas canetadas.

Manifestação da liberdade de expressão conquistada a tão duras penas, o livro fala das falcatruas e bandidagens diversas que o “coroné” & famiglia fez no Maranhão e no senado federal. Relatos surpreendentes de quem não tem medo de dizer a verdade.

Alcinéa Cavalcante não ficou parada: contabilizou 84 exemplares vendidos só na noite de lançamento, totalizando 200 com os da Livraria Amapaense, batendo best-sellers como a série Harry Potter e Crepúsculo, no Amapá.

Quando terminar de ler, faço um resuminho para vocês… mas desde já indico!

Bom final de semana a todos.

João Capiberibe e Marxin Leonov

João Capiberibe e Marxin Leonov

Marxin Leonov e Palmério Dória

Marxin Leonov e Palmério Dória

Biografia: Carlos Marighella

marighellaHoje faz 40 anos da morte de Carlos Marighella,um dos maiores militantes políticos que nosso país já viu. Liderou movimentos políticos-guerrilheiros importantes, como a ALN (Aliança Libertadora Nacional), lutou contra a ditadura militar e morreu numa emboscada em 4 de novembro de 1969, a exatos 40 anos. Em homenagam a essa grande figura da história nacional, posto aqui aqui uma pequena biografia desse militante aguerrido das causas sociais. Mais em http://www.carlos.marighella.nom.br/.

Carlos Marighella nasceu em Salvador, Bahia, em 5 de dezembro de 1911. Era filho de imigrante italiano com uma negra descendente dos haussás, conhecidos pela combatividade nas sublevações contra a escravidão.

De origem humilde, ainda adolescente despertou para as lutas sociais. Aos 18 anos iniciou curso de Engenharia na Escola Politécnica da Bahia e tornou-se militante do Partido Comunista, dedicando sua vida à causa dos trabalhadores, da independência nacional e do socialismo.

Conheceu a prisão pela primeira vez em 1932, após escrever um poema contendo críticas ao interventor Juracy Magalhães. Libertado, prosseguiria na militância política, interrompendo os estudos universitários no 3o ano, em 1932, quando deslocou-se para o Rio de Janeiro.

Em 1o de maio de 1936 Marighella foi novamente preso e enfrentou, durante 23 dias, as terríveis torturas da polícia de Filinto Müller. Permaneceu encarcerado por um ano e, quando solto pela “macedada” – nome da medida que libertou os presos políticos sem condenação — deixou o exemplo de uma tenacidade impressionante.

Transferindo-se para São Paulo, Marighella passou a agir em torno de dois eixos: a reorganização dos revolucionários comunistas, duramente atingidos pela repressão, e o combate ao terror imposto pela ditadura de Getúlio Vargas.

Voltaria aos cárceres em 1939, sendo mais uma vez torturado de forma brutal na Delegacia de Ordem Política e Social (DOPS) de São Paulo, mas se negando a fornecer qualquer informação à polícia. Na CPI que investigaria os crimes do Estado Novo o médico Dr. Nilo Rodrigues deporia que, com referência a Marighella, nunca vira tamanha resistência a maus tratos nem tanta bravura.

Recolhido aos presídios de Fernando de Noronha e Ilha Grande pelo seis anos seguintes, ele dirigiria sua energia revolucionária ao trabalho de educação cultural e política dos companheiros de cadeia.

Anistiado em abril de 1945, participou do processo de redemocratização do país e da reorganização do Partido Comunista na legalidade. Deposto o ditador Vargas e convocadas eleições gerais, foi eleito deputado federal constituinte pelo estado da Bahia. Seria apontado como um dos mais aguerridos parlamentares de todas as bancadas, proferindo, em menos de dois anos, cerca de duzentos discursos em que tomou, invariavelmente, a defesa das aspirações operárias, denunciando as péssimas condições de vida do povo brasileiro e a crescente penetração imperialista no país.

Com o mandato cassado pela repressão que o governo Dutra desencadeou contra o comunistas, Marighella foi obrigado a retornar à clandestinidade em 1948, condição em que permaneceria por mais de duas décadas, até seu assassinato.

Nos anos 50, exercendo novamente a militância em São Paulo, tomaria parte ativa nas lutas populares do período, em defesa do monopólio estatal do petróleo e contra o envio de soldados brasileiros à Coréia e a desnacionalização da economia. Cada vez mais, Carlos Marighella voltaria suas reflexões em direção do problema agrário, redigindo, em 1958, o ensaio “Alguns aspectos da renda da terra no Brasil”, o primeiro de uma série de análises teórico-políticas que elaborou até 1969. Nesta fase visitaria a China Popular e a União Soviética, e anos depois, conheceria Cuba. Em suas viagens pôde examinar de perto as experiências revolucionárias vitoriosas daqueles países.

Após o golpe militar de 1964, Marighella foi localizado por agentes do DOPS carioca em 9 de maio num cinema do bairro da Tijuca. Enfrentou os policiais que o cercavam com socos e gritos de “Abaixo a ditadura militar fascista” e “Viva a democracia”, recebendo um tiro a queima-roupa no peito. Descrevendo o episódio no livro “Por que resisti à prisão”, ele afirmaria: “Minha força vinha mesmo era da convicção política, da certeza (…) de que a liberdade não se defende senão resistindo”.

Repetindo a postura de altivez das prisões anteriores, Marighella fez de sua defesa um ataque aos crimes e ao obscurantismo que imperava desde 1o de abril. Conseguiu, com isso, catalisar um movimento de solidariedade que forçou os militares a aceitar um habeas-corpus e sua libertação imediata. Desse momento em diante, intensificou o combate à ditadura utilizando todos os meios de luta na tentativa de impedir a consolidação de um regime ilegal e ilegítimo. Mas, mantendo o país sob terror policial, o governo sufocou os sindicatos e suspendeu as garantias constitucionais dos cidadãos, enquanto estrangulava o parlamento. Na ocasião, Carlos Marighella aprofundou as divergências com o Partido Comunista, criticando seu imobilismo.

Em dezembro de 1966, em carta à Comissão Executiva do PCB, requereu seu desligamento da mesma, explicitando a disposição de lutar revolucionariamente junto às massas, em vez de ficar à espera das regras do jogo político e burocrático convencional que, segundo entendia, imperava na liderança. E quando já não havia outra solução, conforme suas próprias palavras, fundou a ALN – Ação Libertadora Nacional para, de armas em punho,  enfrentar a ditadura.

O endurecimento do regime militar, a partir do final de 1968, culminou numa repressão sem precedentes. Marighella passou a ser apontado como Inimigo Público Número Um, transformando-se em alvo de uma caçada que envolveu, a nível nacional, toda a estrutura da polícia política

Na noite de 4 de novembro de 1969 – há exatos 40 anos – surpreendido por uma emboscada na alameda Casa Branca, na capital paulista, Carlos Marighella tombou varado pelas balas dos agentes do DOPS sob a chefia do delegado Sérgio Paranhos Fleury.

Fleury

Sérgio Paranhos Fleury, delegado do DOPS de São Paulo, era conhecido como "o papa"

Marighella_morto

Marighella, morto numa emboscada feita pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury (ao lado)

Do blog do Danilo Gentili: Um post racista

Um post muito interessante sobre noções de racismo que eu creio que todos nós deveríamos ter… Parabéns para o Danilo Gentili pela excelente post que agora peço emprestado para publicar aqui!

27/07/2009
UM POST RACISTA


As pessoas que separam cachorros por raças fazem isso porque acreditam que uma raça vale mais que a outra. Eles acreditam mesmo nisso. Ganham dinheiro com isso. Movimentam um mercado. Dividir uma espécie por raças nada mais é do que racismo.

Sinceramente acredito que todo cachorro é cachorro e que toda pessoa é pessoa. E dentro disso não entendo como alguém que morde seu sapato, encoxa sua perna e caga no seu tapete pode ser considerado o melhor amigo do homem.

Se você me disser que é da raça negra preciso dizer que você tambem é racista, pois, assim como os criadores de cachorros, acredita que somos separados por raças. E se acredita nisso vai ter que confessar que uma raça é melhor ou pior que a outra. Pois se todas raças são iguais então a divisão por raça é estúpida e desnecessária. Pra que perder tempo separando algo se no fundo dá tudo no mesmo?

Quem propagou a idéia que “negro” é uma raça foram os escravistas. Eles usaram isso como desculpa para vender os pretos como escravos: “Podemos trata-los como animais, afinal eles são de uma outra raça que não é a nossa. Eles são da raça negra”. Então quando vejo um cara dizendo que tem orgulho em ser da raça negra eu juro que nem me passa pela cabeça chama-lo de macaco. E sim de burro.

Falando em burro, cresci ouvindo que eu sou uma girafa. E também cresci chamando um dos meus melhores amigos de elefante. Já ouvi muita gente chamar loira caucasiana de burra, gay de viado e ruivo de salsicha, que nada mais é do que ser chamado de restos de porco e boi misturados.

Mas se alguém chama um preto de macaco é crucificado. E isso pra mim não faz sentido. Qual o preconceito com o macaco? Imagina no zoológico como o macaco não deve se sentir triste quando ouve os outros animais comentando:
- O macaco é o pior de todos. Quando um humano se xinga de burro ou elefante dão risada. Mas quando xingam de macaco vão presos. Ser macaco é uma coisa terrível. Graças a Deus não somos macacos.

Prefiro ser chamado de macaco do que de girafa. Peça para um cientista fazer um teste de Q.I. com uma girafa e com um macaco. Veja quem tira a maior nota.

Quando queremos muito ofender e atacar alguém, por motivos desconhecidos, não xingamos diretamente a pessoa e sim a mãe dela. Posso afirmar aqui então que Darwin foi o maior racista da história por dizer que eu vim do macaco?

Se o assunto é cor eu defendo a idéia que o mundo é uma caixa de lápis coloridos. Somos os lápis dessa caixa. Um lápis é menos lápis que o outro só porque a cor é diferente? Eu desenho desde criança, então acredite em mim: Não mesmo. Todas essas cores são de igual importância. Ok. Ok. Foi uma comparação idiota. Confesso. Os lápis são todos do mesmo tamanho na caixa. E no mundo real o lápis preto é bem maior que o amarelo.

Mas o que quero dizer é que na verdade não sei qual o problema em chamar um preto de preto. Esse é o nome da cor não é? Eu sou um ser humano da cor branca. O japonês da cor amarela. O índio da cor vermelha. O africano da cor preta. Se querem igualdade deveriam assumir o termo “preto” pois esse é o nome da cor. Não fica destoante isso: “Branco, Amarelo, Vermelho, Negro”?. O Darth Vader pra mim é negro. Mas o Bill Cosby, Richard Pryor e Eddie Murphy que inspiram meu trabalho não. Mas se gostam tanto assim do termo negro, ok, eu uso, não vejo problemas. No fim das contas é só uma palavra. E embora o dicionário seja um dos livros mais vendidos do mundo, penso que palavras não definem muitas coisas e sim atitudes.

Digo isso porque a patrulha do politicamente correto é tão imbecil e superficial que tenho absoluta certeza que serei censurado se um dia escutarem eu dizer: “E aí seu PRETO, senta aqui e toma uma comigo!”. Porém, se eu usar o tom correto e a postura certa ao dizer “Desculpe meu querido, mas já que é um afro-descendente é melhor evitar sentar aqui. Mas eu arrumo uma outra mesa muito mais bonita pra você!” sei que receberei elogios dessas mesmas pessoas, afinal eu usei os termos politicamentes corretos e não a palavra “preto” ou “macaco”, que são palavras tão horríveis.

Os politicamentes corretos acham que são como o Superman, o cara dotado de dons superiores, que vai defender os fracos, oprimidos e impotentes. E acredite. Isso é racismo, pois transmite a idéia de superioridade que essas pessoas sentem de si em relação aos seus “defendidos”.

Agora peço que não sejam racistas comigo por favor. Nao é só porque eu sou branco que eu escravizei um preto. Eu juro que nunca fiz nada parecido com isso nem mesmo em pensamento. Não tenham esse preconceito comigo. Na verdade sou ítalo-descente. Italianos não escravizaram africanos no Brasil. Vieram pra cá e assim como os pretos trabalharam na lavoura. A diferença é que Escrava Isaura fez mais sucesso que Terra Nostra.

Ok. O que acabei de dizer foi uma piada de mal gosto porque eu não disse nela como os pretos sofreram mais que os italianos. Ok. Eu sei que os negros sofreram mais que qualquer raça no Brasil. Foram chicoteados. Torturados. Foi algo tão desumano que só um ser humano seria capaz de fazer igual. Brancos caçaram negros como animais. Mas também os compraram de outros negros. Sim. Ser dono de escravo nunca foi privilégio caucasiano e sim da sociedade dominante. Na África, uma tribo vencedora escravizava a outra e as vendia para os brancos sujos.

Lembra que eu disse que era ítalo-descendente? Então. Os italianos podem nunca terem escravizados os pretos, mas os romanos escravizaram os judeus. E eles já se vingaram de mim com juros e correção monetária, pois já fui escravo durante anos de um carnê das Casas Bahia.

Se é engraçado piada de gay e gordo, porque não é a de preto? Porque foram escravos no passado hoje são café-com-leite no mundo do humor? É isso? Eu posso fazer a piada com gay só porque seus ancestrais nunca foram escravos? Pense bem, talvez o gay na infância também tenha sofrido abusos de alguém mais velho com o chicote.

Se você acha que vai impor respeito me obrigando a usar o termo “negro” ou “afro-descendente”, tudo bem, eu  posso fazer isso só pra agradar. Na minha cabeça você será apenas preto e eu branco, da mesma raça, a raça humana. E você nunca me verá por aí com uma camiseta escrita “100% humano”, pois não tenho orgulho nenhum de ser dessa raça.

OBS: Antes que diga “Não devemos fazer piadas com negros, nem com gordos, nem com gays, nem com ninguém” Te digo: “Pode colocar meu nome aí nas páginas brancas da sua lista negra, mas te acho chato pra caraio”.

Cordel: uma literatura popular

Cordel

Estou fazendo essa semana um trabalho sobre o uso da Literatura de Cordel na sala de aula, e vi o quanto é interessante essa forma de expressão e cultura popular. No sertão de início do século XX, a circulação de jornais se dava de forma bastante escassa, e quando havia jornais estes tinham uma linguagem inacessível para as pessoas que sabiam ler. No sertão, muitos eram analfabetos. Até mesmo nas cidades, os jornais eram controlads pela alta burguesia, que mostrava a notícia da forma que queria. Jornais pequenos eram colocados fora de circulação pelo próprio governo, pelo seu caráter político opositor. Não devemos esquecer que o início do século XX foi marcado pelo apogeu das grandes oligarquias em todo o Brasil.

A poesia de cordel era uma alternativa a essa imprensa, visto que era composto por versos simples e linguagem popular, o que facilitava a memorização por quem não sabia ler e apenas ouvia. Os poetas do cordel andavam de feira em feira vendendo seus folhetos. Falavam de contos, acontecimentos da época, vidas de pessoas ilustres. São vários os seus autores, podendo citar Leandro Gomes de Barros, João Martins de Athayde e Cuíca de Santo Amaro, entre vários outros.

Abaixo há três cordéis interessantes que gostaria de convosco compartilhar:

PB374cordelAmador Santelmo (Vida, Aventuras e Morte de Lampião e Maria Bonita)

Creio em Getúlio Vargas todo-poderoso,
Criador das leis trabalhistas
Creio no Rio Grande do Sul e no seu filho
Nosso patrono, o qual foi concebido
Pela Revolução de 30
Nasceu de uma Santa Mãe
Investiu sobre o poder de Washington Luís
Foi condecorado com o emblema da República
Desceu ao Rio de Janeiro ao terceiro dia
Homenageou os mortos, subiu ao Catete
E está hoje assentado em São Borja
De onde há de vir e julgar
O general Dutra e seus ministros
Creio no seu retorno ao Palácio do Catete
Na comunhão dos pensamentos
Na sucessão do presidente Dutra
Por toda a vida,
Amém.

(Cuíca de Santo Amaro)

A política brasileira – O perfil dos candidatoscordel1

No Brasil há candidatos
Que só querem enriquecer
Depois que estão eleitos
Do povo não querem saber
Traz um mundo de ruínas
Começam a fazer rapinas
Fugindo do seu dever.

É fácil se conhecer
Basta prestar atenção
São dos que usam o dinheiro
Só para comprar mansão
Da cidade sempre esquece
E depois só aparece
Na hora de nova eleição.

No momento em que aparece
Procurando nos enganar
Ver um pobre pela rua
Vem correndo abraçar
Aí que está o perigo
Tenha cuidado meu amigo
E saiba pra quem vai votar.

Pode colocar na mente
Com toda maturidade
Prepare seu alicerce
Cuidado com tempestade
Não siga por aventura
Pois tem gente que procura
Desdenhar nossa cidade.

Pra quem pensa no progresso
Trabalho e manutenção
Através dessa leitura
Dou-lhe uma sugestão
Cuidado com o perigo
Abra os olhos meu amigo
Na hora da votação.

Fique atento caro eleitor
Na hora da votação
Muitos candidatos prometem
Só pra ganhar a eleição
Depois que estão eleitos
Diz agora não tem mais jeito
Saúde pra pobre não

Não seja um desatento
Lute pela lealdade
Procure manter na vida
Amor e dignidade
Portanto não se entregue
Sem planejar ninguém consegue
Alcançar a felicidade
Não vote num candidato
Que só vem atrapalhar
Quando passa as eleições
Não lembra mais do teu lar
Não falo de brincadeira
Cito aqui Algumas maneiras
Que fazem para nos enganar.
Tem deles que vão chegando
Às vezes nem te conhece
Pra conquistar o teu voto
No momento em que aparece
Fala mal da oposição
Pega logo em tua mão
E assim diz uma prece.

Ó amigo há quanto tempo
Por que não me procurou
Esqueci até o seu nome
Vá dizendo, por favor,
Eu estou aqui de novo
Pra ajudar todo o meu povo
O qual tenho muito amor.

Em seguida um abraço
E um aperto de mão
Quando você solicita
Qualquer alimentação
Ele logo vai dizendo
Agora não estou tendo
E só depois da eleição.

Outro vem com mansidão
E lhe chama até de querido
Quando ganha a eleição
Passa o tempo escondido
Enfrenta qualquer barreira
Para nem por brincadeira
Atender o seu pedido.

Outros chegam à sua casa
Sentam à beira do fogão
Mostrando simplicidade
Comem até do teu feijão
Trata-te com alegria
Isso tudo é fantasia
Só pra ganhar a eleição
Queremos apenas o direito
Na saúde e educação
Justiça e dignidade
Conforme a constituição
Vivenciando um mundo novo
A liberdade de um povo
Sofrido aqui nesse chão.

É melhor pedir a Deus
O nosso Pai Criador
Que nos mostre entendimento
Coragem, paz e amor
Que nos dê determinação
Um voto de gratidão
A um homem trabalhador.

Jesus Cristo é nosso Mestre
Onipotente e redentor
Agradecemos o dom da vida
Que ele nos proporcionou
Unidos sempre teremos
Iluminação no que vemos
Mantendo coragem e amor.

de Joaquim Araújo da Silva
Gandu – BA – por correio eletrônico

Pombal, o Marquês que mandava e desmandava

— Walter Medeiros

A história da humanidade

Tem muito para se ver

E agora eu vou dizer

Com gosto e com verdade

Para você entender

Os pru mode e os pru quê

De uma vida de vaidade

No campo e na Cidade

Essa história tem lugar

Pra gente se situar

Tem até a majestade

Pois pode acreditar

Tem coisa de arrepiar

Por falta de caridade.

Os fatos que vou narrar

Têm muito tempo passado

Não fique impressionado

Pode até se admirar

Passaram-se num reinado

De um país abastado

De cultura milenar.

Eu falo de Portugal

Lá no século dezoito

Onde um homem bem afoito

Que era Marquês de Pombal

Não gostava de biscoito

Nem jogava de apoito

O seu dinheiro real

Ele era amigo do Rei

Que se chamava José

Maltratava até a fé

E também fazia lei

Você sabe como é

Ele só queria um pé

Para confrontar um frei

Com aquela amizade

Virou primeiro-ministro

E  num trabalho sinistro

Mandava em toda a cidade

Ali já tava bem visto

Que ele mesmo sem ser Cristo

Mandava mais que um abade

No tempo em que ele viveu

Era grande o despotismo

Um tempo de terrorismo

Sobre o povo se abateu

Foram anos de sadismo

Parecia um grande abismo

Uma escuridão de breu

O marquês era sabido

Tudo em volta dominava

Até na escolta mandava

Pra cidadão ou bandido

Sua fama se espalhava

E ele se credenciava

Um déspota esclarecido.

Mas não era só no reino

Que o Pombal influía

Ele também mandaria

Sem precisar nem de treino

Nas colônias portuguesas

De olho em suas riquezas

E nas especiarias.

Ele mandou no Brasil

Sua palavra era forte

No sul e até no norte

Seu mando repercutiu

Ele era mesmo de morte

Mudando até a sorte

De quem chegou, pois partiu.

Os jesuítas, coitados,

Que aos índios ensinavam

Seus idiomas usavam

E foram escorraçados

Onde eles trabalhavam

Ordens de Pombal chegavam

E as portas se cerravam.

Muitas escolas fechadas

Fizeram um tempo infeliz

Não tinha mais aprendiz

O marquês não aceitava

Foi do jeito que ele quiz

Aula nem mais na matriz

O despotismo arrasava.

Neste tempo os brasileiros

Sofreram um grande atraso

E não foi pequeno o prazo

Pois passaram-se janeiros

O marquês fez pouco caso

Como quem esquece um vaso

Que vale pouco dinheiro

Mas foi aquele marquês

Quem fez algo interessante

Mesmo sendo arrogante

Implantou o português

Como idioma constante

Pra o Brasil ser bem falante

Não contou nem até três.

Por outro lado Pombal

Só pensavam em ganhar

E tratou de organizar

Algo pro seu ideal

Passou a negociar

Para bem mais enricar

Às custas de Portugal.

Mas os revezes da vida

Pegam também quem é ruim

E com ele foi assim

Acabou sua guarida

Quando dom José morreu

A rainha que sucedeu

Era forte e destemida

Dona Maria Primeira

Ouviu a acusação

E tomou satisfação

Acabou a brincadeira

Mesmo pedindo perdão

Recebeu condenação

Pro resto da vida inteira.

Ele perdeu seu poder

O patrimônio confiscado

Deixou de ser açoitado

Foi desterrado a valer

Pra bem longe foi mandado

E nunca mais o reinado

Ele conseguiu rever

Na distância, abandonado

Com um castigo muito mal

Foi o marquês de Pombal

Sofrer um tempo exilado

Ficou ali e morreu

Sem  poder nem apogeu,

Deu-se assim o seu final.

Foi assim mesmo a história

Daquele rico marquês

Eu agradeço a vocês

Que hoje me dão a glória

De ter aqui minha vez

Prá ler um cordel por mês

Sobre derrota ou vitória.

FIM

Análise de música: Ice

Bem, caros leitores! Como ultimamente tenho estado muito próximo dos produtos da indústria cultural paraense (melody), achei por bem pegar uma das várias letras de músicas que rodam por aí e fazer uma análise em cima dela. É, daqueles tipos de análise que nós fazemos com aquelas músicas mais cultas na escola, do porte do MPB. Como tenho lido muito Paulo Freire, aprendi que nós devemos sempre focar o ensino na realidade do aluno. E o melody é realidade de todos, afinal de contas. Então peguei um “hit” musical para esmiuçá-la e dessa forma mostrar a qualidade da sua letra musical. (Em outras palavras, vou mostrar que essa música é mesmo uma droga)

Segue abaixo a letra:

Música: Ice

Artista: Vários dj’s (todo mundo toca mesmo)

Gatinha, cê gosta mais

De Red Lable, ou Ice

Gatinha, cê gosta mais

De Red Lable, ou Ice

Pra mim tanto faz

De Red Lable, ou Ice

Pra mim tanto faz

De Red Lable, ou Ice

Ice Ice Ice Ice Ice Ice Ice Ice Ice (9x)

Elas gostam mais de Ice, ou Chaos

Whisky elas cai

Elas gostam mais de Ice, ou Chaos

Whisky elas cai

Ice Ice Ice Ice Ice Ice Ice Ice Ice (9x)

Elas gostam mais de Ice, ou Chaos

Whisky elas cai

Elas gostam mais de Ice, ou Chaos

Whisky elas cai

Ice Ice Ice Ice Ice Ice Ice Ice Ice (9x)

Bem, primeiramente o que chama atenção é o título sujestivo da letra: Ice. Já vende por causa da associação com a bebida bastante difundida nesta primeira década de século XX. Logo, quem gosta de ir para a farra encher a cara de cachaça já se identifica com a letra.

Depois, vemos a rica contrução sintática, a imensa variedade de termos que sempre se encontra no melody. Só não podemos falar em falha na construção sintática porque a licença poética que toda música tem o protege, isto é, se isso puder ser chamada de música. Um ponto para eles.

Logo, a primeira escolha: Red Lable ou Ice? Whisky ou cachaça? Ó Senhor, que dúvida cruel.

É então que o cara que canta diz: pra mim tanto faz! Mas por que a dúvida então? Aí que está o foco da música: com Whisky (Red Lable) ELAS caem. Para o homem, que supostamente tem organismo mais forte, náo há diferença de bebida, enquanto para a mulher, que tem, supostamente, o organismo mais fraco, há uma diferença. Se elas tomarem Red Lable, ficarão menos alcoolizadas (se alguém não entendeu: mamadas). Eureca!

Fazer o que então: tonar Ice, ué! Daí a ênfase na estrofe: Ice Ice Ice Ice Ice Ice Ice Ice Ice. 9 vezes. Contadinho. O que representa 9 garrafas.

Por fim, o autor repete a letra e põe ainda mais ênfase na mensagem. Creio que ele deve ter ido encher (mais) a cara depois dessa construção musical maravilhosa. Nada mais merecido, afinal é muito trabalho para um só dia.

Viu como é simples???

Agora, você está habilitado em escrever letras para melody, creio eu. Pode começar a procurar emprego, companheiro! Se quiser exercitar um pouco, é só colocar sua produção aí nos comentários, que eu dou uma olhada com todo o prazer, aí já te encaminho para uma produtora.

Gatinha, cê gosta mais

De RedLablou, ou Ice

Gatinha, cê gosta mais

De RedLablou, ou Ice

Pra mim tanto faz

De RedLablou, ou Ice

Pra mim tanto faz

De RedLablou, ou Ice

Ice Ice Ice Ice Ice Ice Ice Ice Ice (9x)

Elas gostam mais de Ice, ou Chaos

Whisky elas cai

Elas gostam mais de Ice, ou Chaos

Whisky elas cai

Ice Ice Ice Ice Ice Ice Ice Ice Ice (9x)

Elas gostam mais de Ice, ou Chaos

Whisky elas cai

Elas gostam mais de Ice, ou Chaos

Whisky elas cai

Ice Ice Ice Ice Ice Ice Ice Ice Ice (9x)

Amor ao próximo: você pratica às vezes?

Hoje acordei com pouco pique. Sabe aqueles dias em que você não está com tanto gás? Pois é… E minha tarde continuou nessa inércia. Hoje teve Círculo Bíblico aqui na vizinhança, e lá fui eu orar e conversar sobre a leitura do dia. Depois do Círculo me senti mais leve, com mais gás… Mas o que aconteceu depois é que eu quero falar aqui.

Quase em frente de casa mora uma senhora com sua neta, que cria como filha, e o seu filho. D. Raimunda é o seu nome. Sua pequena neta é a Juju, de 7 anos. Elas moram numa casa bem simples, de madeira, mas agora estão (re)construindo a parte da frente de alvenaria, enquanto os fundos estão sendo reformados com madeira nova que ganhou em doação.

Ao fim de Círculo Bíblico, paramos em frente à sua casa, conversamos um pouco. Então d. Raimunda falou-me que Juju havia ganhado umas escovas de dente e creme dental também, além de shampoo e creme para a hipinge, que a baixinha estava precisando. É mesmo? Indaguei; então ela me leva para mostrar os produtos, que foram doados pela vigilante da Escola Municipal Roraima, que é onde a Juju estuda. 8 tubos de cremes dentais e algumas escovas dentais também. As duas então me oferecem alguns tubos e escovas! Digo que não estava precisando, que elas precisavam mais do que eu; mas as duas insistem e acabam ganhando. No final, voltei para casa com dois tubos de creme dental (e do bom!) e duas escovas dentais.

Mas o que eu gostaria de frisar é a humildade e o senso de partilha que as duas têm. Quem conhece a d. Raimunda sabe que ela é bem humildizinha, e geralmente recebe doações. Lava algumas roupas para o sustento, além do dinheiro que o seu filho trás com o trabalho. Não sabe ler nem escrever. Embora humilde, é rica de espírito. Uma verdadeira guerreira que leva sua neta (que já é uma filha há muito tempo) para a escola e para a natação (projeto Peixinhos Voadores da PM-AP) todos os dias, fala com os vizinhos, trabalha, e arranja tempo para Deus. Junto comigo, somos a liderança da Grupo de Vizinhos, que às quartas-feiras organiza, às 19 horas, o Círculo Bíblico: roda de conversa entre vizinhos, na qual a cada encontro tem como tema uma passagem da Bíblia que é colocado para estudo. Os Círculos Bíblicos acontecem a cada semana em uma casa diferente.

Às vezes, reclamamos tanto por tão pouco… Se ocupamos tanto em reclamar, dizer que está tudo mal, que esquecemos que há pessoas que passam por situações piores que nós todos os dias, que precisam mais de ajuda do que nós, mas acabamos virando o rosto, nos omitindo podendo ajudar. Ou então vivem em condições não tão boas como nós, mas são felizes. Que além de ter pouco, ainda partilham o que tem. Vivemos tão presos à nossa rotina que muitas vezes esquecemos de olhar para o outro, se precisa de algo, se está bem, se é feliz. O ser humano é cada vez mais bestificado pela sociedade de consumo. A mídia nos coisifica cada vez mais, nos aliena, rouba nossos sentimentos para no lugar colocar impulsos animalescos, mas quanto a isso achamos que está tudo bem. Eu acho que vivemos mal. O ser humano precisa parar de olhar só para o seu umbigo de vez em quando para ajudar o próximo.

Hoje vou dormir com meu coração tocado por essa verdadeira lição de vida que aprendi.

“Essa vida é muito curta, passa muito rápido; e resta apenas uma chance para viver. Tenha fé.”